Terça-feira, 29 de Junho de 2004
PRECISO VER-TE
Preciso ver-te,


como Pégaso que busca o sol,



ainda que tua proximidade me derreta,



pois talvez seja este o meu destino.



*



Preciso ver-te,



ou serei viajante sem bússola,



carcereiro de mim mesmo,



cego sem horizontes nem auroras.



*



Preciso ver-te



para que possa encontrar algum sentido



nas coisas e seres que me rodeiam



e que falam de ti como miragem.



*



Preciso ver-te.



Barco na tempestade, nada temerei



se tu, meu farol intermitente,



me guiares com teu código de luz.



*



Porque só sei amar às claras,



não vou contentar-me com o obscuro.



O vulto imaginado, sem essência,



acaba se desvanecendo e cria um vazio,



somatório de muitos nadas.



*



Por tudo isso, preciso ver-te e provar-te,



saber-te real, vívida, palpável,



como também o é o meu amor, que ingeres,



escondida, em tua mesa de silêncio.



*



Por que tardas,



se tanto sabes que preciso ver-te ?





publicado por Lumife às 01:49
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